Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

2011

Depois de muito "conversar com as divindades e de lhes fazer perguntas", foram-me comunicados alguns acontecimentos que terão lugar em 2011 e que não constam dos telegramas revelados pelo Assange. Assim, e porque o próximo ano está cada mais isso mesmo - mais próximo - aqui vai:

- O Bloko de Esquerda apresentará em meados de Maio uma proposta de lei que despenalize a posse de papos-secos com mais de 1,4 gramas de sal (por 100 gramas no produto final). Prevê assim a eliminação da coima que pode chegar aos cinco mil euros. Com tal medida, o Bloko pretende "destigmatizar o consumidor e combater o padeiro".

- José Sócrates (e isto não é uma piada), pouco tempo após as eleições presidenciais recorrerá ao fundo de estabilização e chamará também o FMI. Sob o pretexto da estabilidade e (mais uma vez) dos superiores interesses nacionais, saberá defender muito bem os seus, e aguentará pelo menos até ao final de 2011.

- 2011 será também um ano feliz para a família Sócrates, pois os primos na diáspora regressarão a Portugal e farão as delícias dos portugueses na Casa dos Segredos 2 da TVI.

- Cavaco Silva promulgará a lei da eutanásia por forma a impulsionar a retoma económica, pois como todos nós - cainesianos - sabemos, matar velhos tem um poderoso efeito multiplicador na economia; ah! e claro, um presidente não deverá exercer um mandato de acordo com as suas convicções (sic).

- Angelia Jolie, na sua ânsia descontrolada de adopção, resolverá adoptar - de uma só vez - toda a população de um pequeno país pobre do norte de África (Portugal está no topo da lista). Adoptará também Madonna e, como consequência, 43 criancinhas exóticas.

- Luis Filipe Vieira e Pinto da Costa farão as pazes: o presidente do Benfica pagará os dois meses de quotas em atraso no fêquêpê, Pinto da Costa agitará a bandeira do Benfica na chegada à Luz para o jogo da segunda volta. Mas o melhor, ficará lá para Novembro quando - para fazer concorrência às Frutas Almeida e para aproveitar a experiência de Jorge Nuno no sector - os dois lançarem a cadeia "Veira da Costa - Fruta Tropical Africana".

Outras maravilhas me foram reveladas pelos deuses, mas acho que se as contasse vocês não iriam acreditar.

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Objectivo: ao décimo Leilão chegar aos 10% de taxa de juro!

A emissão de dívida pública em 2011 vai ser de 20 000 000 000 euros (vinte-mil-milhões-de-euros---, previsões do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, IGCP). Muito bom!

Preparados?

Notícia aqui.

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Sócrates e o sacrifício

No meio de mais umas dezenas de notícias sobre os ditos últimos do senhor que chegou a ser primeiro ministro de Portugal, eleito a 12 de Março de 2005 e - pasme-se! - reconduzido no cargo por uma (esperemos que única) vez, no fatídico 26 de outubro de 2009, tem-me trespassado o coração uma questão existencial:

Como vamos explicar aos nossos filhos e aos nossos netos que deixámos que um senhor como este primeiro ministro nos governasse por quase seis anos?

Os nossos filhos e netos, que vão pagar uma conta astronómica à custa da falta de visão e do roubo à mão armada perpetrado por este senhor & amigos rosa, nunca nos irão perdoar esta exasperante passividade.

Depois desta notícia, e desta, com que cara é que ficamos?

Este recorte de jornal, já com mais de 10 anos, não diz imenso sobre este senhor? Ele próprio faz questão de nos dizer que não tem o talento nem as qualidades necessárias para o cargo que actualmente ocupa!




Senhor Sócrates, por favor não encare a sua actual situação como um sacrifício que está a fazer pelo País, compreenda por favor que é toda uma Nação que está em sacrifício tendo-o onde agora está!

(obrigado Nuno Menezes, bem como a José Manuel Fernandes, pela disponibilização deste excerto de entrevista, autêntica pérola de coerência deste senhor!)

"Lá baaaaamos"

"Os juros da dívida pública portuguesa retomaram hoje a tendência de subida que se regista desde há três semanas, estando em 6,805 por cento às 14h35 para as obrigações a dez anos, o que não acontecia desde dia 1."

De salientar somente as palavras do Sr. Barroso:

Barroso apelou aos líderes governamentais para falarem menos, afirmando que “é, realmente, um problema ouvir tantas opiniões durante a crise” e deixou um apelo: “Apelo aos líderes políticos para estarem mais calados e deixarem os comentários para os comentadores, e perceberem que os mercados financeiros estão a ouvir”.

Sábado, 25 de Dezembro de 2010

O papel do estado

Um rebuçado para quem souber o autor destas sábias palavras (não vale usar o google):


"Impelimos o Estado, primeiro, para a passividade absoluta (...) e depois para um intervencionismo absorvente, regulando ele a produção, a repartição, o consumo das riquezas. Sempre que o fez, onde quer que o fez, esterilizou as iniciativas, sobrecarregou-se de funcionários, agravou desmedidamente as despesas e os impostos, diminuiu a produção, delapidou grandes somas da riqueza privada, restringiu a liberdade individual, tornou-se pesado, insuportável inimigo da nação.

(...) O Estado deve manter-se superior ao mundo da produção, igualmente longe da absorção monopolista e da intervenção pela concorrência. Quando pelos seus órgãos a sua acção tem decisiva influência económica, o Estado ameaça corromper-se.

(...) o progresso, porém, não está em o Estado alargar as suas funções, despojando os particulares, mas o Estado poder abandonar qualquer campo de actividade por nele ser suficiente a iniciativa privada.

(...) Sim, a crise que sofremos vai certamente passar, mas o essencial é saber se a doença que infecciona a economia das sociedades modernas não será facilmente atacada."

Em Espanha, também há quem pense que o Regime está esgotado...

"Empieza a ser difícil derrotar los argumentos de quienes afirman que nos encontramos ante un auténtico cambio de régimen; es decir, la liquidación del sistema nacido en el 78".

aqui.

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Uma questão de enquadramento..

"O neo-realismo, enquanto corrente estética, impunha-se e excluía qualquer um que não se identificasse com ele.
Tanto os militantes comunistas como os compagnons de route sabiam que a elite intelectual portuguesa estava connosco.
Nalguns casos faziam-no por militância política, pois muitos pertenciam ao sector intelectual do PCP, mas outros porque se tratava da forma possível de combater um regime que perseguia a cultura, e outros ainda porque era difícil alguém afirmar-se fora deste enquadramento."

Seabra, Zita. Foi assim.

E agora qual é o enquadramento? O do lobby gay/bloco de esquerda?

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Os mais inteligentes deitam-se mais tarde




Um prenda para o sapatinho da professora Isabel Alçada.

Mais barato, mais eficiente e sem precisar de concurso público (ou não): dispensa-se os Magalhães e o mínimo de idade para entrada nas discotecas passa para os 10 anos. Temos crianças mais inteligentes e os ministros Ibero-Americanos podem continuar a aproveitar as Cimeiras para desfrutar das nossas medidas de reforma educacional e ainda recebem bónus de horas extra por isso.


PS: Gostaria de salientar a última frase do artigo. Esclarecedora...

Domingo, 19 de Dezembro de 2010

A história repete-se e a natureza humana, essa, nunca muda...

"Mas dir-se-á com mais verdade que Homero fingia estas coisas para que, atribuindo aos homens viciosos a natureza divina, os vícios não fossem considerados como tais e todo aquele que os cometesse não parecesse imitar homens dissolutos, mas habitantes do céu."

"Que admira, pois, que fosse arrastado pelas vaidades e me afastasse de vós, ó meu Deus, se me propunham como exemplo homens a quem uma crítica cobria de vergonha por um barbarismo ou solecismo cometido ao narrarem acções virtuosas e que se gloriavam de serem louvados quando contavam, com termos castiços e bem dispostos, copiosa e alegremente, as suas torpezas?"

Agostinho, Santo. Confissões.

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

O país que não gosta de si mesmo

Segundo o Metro, o país - Portugal - "não gosta de si mesmo". Curioso...

Independentemente da exacta pergunta que foi feita, a quem foi feita, a quantos foi feita, em que modos foi feita, quanto responderam, etc, aposto que se perguntássemos às mesmas pessoas se gostavam de si mesmas, a resposta já seria outra...
Todos gostariam de si mesmos, achar-se-iam honestos, trabalhadores, "impolutos e incorruptíveis". Portanto os outros seriam os desonestos, os preguiçosos e os corruptos.
Teríamos então um universo no qual "todos" gostam de si mesmos, mas não gostam uns dos outros. Ou um caso no qual o todo é claramente inferior à soma das partes...

Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010