Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Fernando Nobre: novos episódios

Fernando Nobre, médico e insigne presidente da AMI, tomou a polémica decisão de se candidatar à Assembleia da República pelo PSD.
Aqueles que nas eleições presidenciais confiaram o seu voto a Nobre pelo seu discurso independente dos partidos e que agora se sentem traídos deviam recuar - não muito, diga-se - e atentar, por exemplo, à sua posição enquanto mandatário do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 2009 ou enquanto membro da Comissão de Honra da candidatura do social-democrata António Capucho à Câmara de Cascais em 2009.
Se por um lado se pode achar incoerência entre diversas palavras de Nobre contra os partidos políticos durante a campanha presidencial deste ano e a sua posição para as eleições de 5 de Junho; se ainda se pode considerar mais esquisito o alinhamento com as ideias do Bloco de Esquerda para as europeias de 2009 e agora com as do PSD nem dois anos depois; o que é certo é que Fernando Nobre não faz parte desses partidos tentando, na maior sintonia possível com os seus valores, participar activamente na política nacional. E as eleições legislativas não contemplam independências. Convirá conceder o benefício da dúvida a Fernando Nobre na medida em que pode ter mudado de opinião em relação à participação - de algum grau - em actividades partidárias.
Mas o que é certo é que até agora os dirigentes do PSD demonstraram uma profunda inaptidão para as funções que exercem e para as responsabilidades que lhes são inerentes. Saliento três infantilidades: a manutenção de divergências internas no mais grave momento nacional desde 1976 em que urge a concentração dos partidos em torno de uma só escolha capaz de enfrentar os adversários, o chumbo do PEC (que pessoalmente considero um erro autenticamente crasso da oposição, não pela matéria chumbada mas por ter facilitado a via a Sócrates e à sua campanha) e, por fim, a questão de Nobre. Três "tiros no pé", três golos para o PS, três presentes para Sócrates, três maus testemunhos de Passos Coelho e de suas gentes.

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