Velut Luna
Status Variabilis
(Ó Fortuna/ Como a Lua/ És inconstante).
Compulsiva tristeza,
Dolorosa opressão;
Ó dantesca visão!
Não se insurge o Olimpo
Perante tal violência?
Arrancar pela raiz a árvore
E do Homem o coração
Não é provação.
Por menos se fez mais,
E por mais tanto se moveu...
Nem por amor
Velam os anjos,
Oram os santos.
O teu doce odor
Como o esquecerei?
A lisura
Das tuas formas
Como olvidarei?
O teu vicioso perfil...
Com alento recebias
A pureza
Que Natureza e alma humana
Em estreiteza
Maturavam
...
Prodigiosamente
Ó Mar salgado
Quanto do teu sal
É penhor
Que te agora peço
Sem custo
Não porque o não sinto
Mas porque
O merecimento não o finto
...
A manilha
Foi o sete
De jardas
E cedi-a eu
Inocentemente
Enevoado
Primiciava
Até o sortilégio...
E tudo se consumou.
O meu cachimbo se quebrou.
Das alturas se lançou.
E no fim se estilhaçou.
Eu vi.
Pelas mãos cedi.
A ansiedade senti.
E no fundo o recolhi.
Do torpor ao fragor
Minha alma.
Meu coração
Palpitou.
De quem vive com humildade e morre com majestade, o nascimento deixa saudade.
Incauto bem que ornou a minha vida; pobre pequenino... Chegaste, nem ontem; e já hoje abalas! Quero dizer-te que os primeiros serão os últimos e no fim sou para ti e tu és para mim. Defumaste o meu tabernáculo e no torpor da felicidade eu agia para ti. E será... considera-o assim.
Quod per sortem
Sternit fortem
Mecum omnes plangite!
(Se o Destino/ Abala os fortes/ Todos chorem)
O latim é de outros tempos mas o teu destino, esse, é meu.

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