Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Monarquia em Movimentação...


Confesso que há bastante tempo que não escrevo na página da Plataforma Pensar Claro, mais por laissez-faire do que por qualquer impedimento, contudo uma questão que me tem vindo a preocupar impele-me a escrever este texto: porque razão proliferam tantos movimentos monárquicos?

É indiscutível que o número de monárquicos tem vindo a crescer, o que, a meu ver, se deve tanto ao descontentamento e desapontamento generalizado com o fracasso que a república tem sido, como ao esforço concertado da Causa Real para promover o conceito de monarquia constitucional. Com efeito, a Causa e as Reais Associações têm vindo a crescer, estando cada vez mais activas na sociedade — prova disso são os eventos realizados em Coimbra aquando da celebração do 5 de Outubro, o jantar dos conjurados ou o congresso que decorreu no Porto no passado dia 14 de Maio de 2011. Todos estes eventos foram marcados pela adesão em massa dos associados, sendo digno de nota que estiveram presentes cerca de 800 pessoas no jantar que decorreu no Convento do Beato. Assim se verifica a qualidade dos eventos que só credibilizam e dignificam o nosso propósito que é a restauração da monarquia em Portugal.

Não obstante, um fenómeno assaz curioso e que merece reflexão é que me leva a escrever. Uma breve consulta ao Facebook permite-me encontrar as seguintes colectividades:

-Movimento Mil Cento e Vinte e Oito

-Movimento Monárquico do Ribatejo

-Movimento Independente Monárquico

-Centro Monárquico do Porto

-Movimento de Unidade Monárquica

-Monárquicos de Gaia

A lista continua, fica aqui esta breve amostra. Partindo do princípio que as ditas organizações têm materialização física, não se ficando pelo âmbito virtual, é de admirar que surjam tantas colectividades de forma espontânea quando há uma estrutura oficial e devidamente reconhecida e mandatada por SAR o Sr. D. Duarte, Duque de Bragança. Gostaria de deixar bem claro que não conheço estes movimentos, pelo que não sei em que contexto específico surgiram, contudo penso que seria importante os membros da direcção contactarem as Reais Associações das áreas em que se inserem, com o intento de esclarecer a sua posição. Não me parece benéfico que estas estruturas, se bem que com a melhor das intenções, desenvolvam as suas actividades “à margem” das estruturas oficiais. A meu ver, a melhor forma de os monárquicos se coordenarem é aderirem às Reais e oferecem os seus préstimos, que certamente serão bem recebidos. Reitero que não pretendo injustiçar nenhuma das colectividades anteriormente mencionadas, tratando-se meramente de uma sugestão.

Tendo dito, gostaria agora de me debruçar sobre uma organização em particular: o Centro Monárquico do Porto. Consultando o website http://noticias-cmp.blogspot.com/, verifico que os corpos sociais contam apenas com três pessoas: Rui Barandas, Sérgio Vieira de Carvalho e Diogo de Campos. Nunca me encontrei com nenhum dos três, apesar de já ter ouvido falar do Sr. Rui Barandas e do Sr. Sérgio Vieira de Carvalho. Quanto ao Diogo de Campos, abordou-me uma vez via Facebook. Se bem me lembro, reclamava vários títulos de nobreza, aos quais não tinha direito. Uma breve pesquisa na Internet permite encontrar o website http://sites.google.com/site/diogodecampos11/agenda no qual este jovem afirma ser descendente do Barão de Nova Sintra. Passo a citar:

“5 de Junho de 2011 - Diogo de Campos irá participar numa homenagem ao primeiro Barão de Nova Sintra, seu quarto avô; nas instalações do Colégio do Barão de Nova Sintra no Porto.”

Aproveito para informar que José Joaquim Leite Guimarães, primeiro e único Barão de Nova Sintra casou duas vezes, não tendo tido descendência de nenhum dos casamentos (vide ZUQUETE; Afonso; Nobreza de Portugal e Brasil; vol. 3, pág. 61).

À parte das pretensões nobiliárquicas sem qualquer fundamento e para não me desviar mais do cerne da questão, parece-me estranho que haja um Centro Monárquico no Porto, sabendo eu que há uma Real Associação (da qual sou associado). Se se tratasse de uma zona do país na qual não houvesse representação da Causa Real, até faria sentido que os portuenses se agrupassem num movimento. Não sendo o caso, não me parece que a sua existência faça qualquer sentido. Estes senhores participam num grupo intitulado “Queremos Uma Monarquia Democrática em Portugal”, no qual se encontram frequentemente críticas à Real Associação do Porto e à Juventude Monárquica.

Deixando bem claro que este texto reflecte a posição pessoal do autor e não destas estruturas (Real do Porto e Juventude Monárquica), aproveito para informar o leitor de que me sinto muito bem representado pela Real Associação do Porto e pela Causa Real. Assim sendo, as críticas que são publicadas no “Quero Uma Monarquia Democrática em Portugal” são, a meu ver, sem qualquer fundamento.

Dou por terminado o que pretendia que fosse uma breve nota e que acabou por se tornar num texto extenso com um bem-haja a todos os que trabalham para que o ideal monárquico se torne realidade.

Viva El Rey!



Henrique Sousa de Azevedo

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