
Tenho lido na internet algumas críticas aos jantares organizados pelas reais associações, em particular ao jantar dos conjurados, daí escrever este pequeno apontamento, no qual sintetizo a minha opinião.
Em primeiro lugar, o jantar dos conjurados é a perpetuação da memória histórica; da memória de indivíduos que arriscaram tudo o que tinham (e alguns deles tinham muito) em prole do bem comum. Os conjurados eram fidalgos de antiga linhagem, possidentes, que podiam ter pactuado com D. Filipe e, consequentemente, retido a sua influência na corte e na sociedade da época. Optaram por não o fazer. Optaram por arriscar uma morte dolorosa e humilhante, a perda de todos os seus bens, o conforto das suas vidas. É nosso dever, não só enquanto monárquicos, mas também enquanto portugueses, garantir que a sua memória perdura. É neste jantar, todos reunidos, que damos graças a Deus por ter levado a iniciativa dos conjurados a bom porto.
Em segundo lugar, o jantar serve um propósito mais prático e mais mundano: fortalecer os laços entre os monárquicos, através do convívio salutar, através da discussão de ideias, através da formação de novos conhecimentos e novas amizades. No jantar dos conjurados que decorreu no CCB estiveram presentes muitos jovens: alguns eram meus amigos, outros meus conhecidos e outros ainda não tinham sido apresentados. Fiquei a conhecer vários, troquei contactos, discuti a possibilidade de novas iniciativas, dei a conhecer a recém-reestruturada Juventude Monárquica do Porto da qual faço parte. Tudo isto faz parte do tão necessário “trabalho de base” para uma maior coordenação entre as várias reais associações e juventudes monárquicas.
Por fim, o jantar é ainda a oportunidade de travar conhecimento com SAR o Sr. D. Duarte — algo que havia feito há bastante tempo – e que tem sempre disponibilidade e paciência para ouvir opiniões dos monárquicos, dar sugestões, partilhar connosco a sua sabedoria que advém de longos anos ao serviço da Pátria.
Termino com uma nota aos que criticam o jantar com acusações de elitismo. Aos que criticam o preço, que olhem para as quantias que gastam em bilhetes para jogos de futebol, presentes de Natal e outros divertimentos frívolos e que olhem para dentro antes de criticar os que se esforçam para reunir os monárquicos num grande evento. Aos que criticam o traje, direi apenas isto: um jantar com a Família Real requer dignidade e protocolo. Se não entendem isto e sugerem que se vá cumprimentar SAR de calças de ganga e camisa por fora das calças, então demonstram uma falta de nível tremenda, já para não falar da mais básica das cortesias para com o Sr. D. Duarte. Aos que criticam o compadrio, tenho apenas a dizer que quanto mais unidos e próximos forem os monárquicos, maior será a força da nossa causa.
Saúdo SAR o Sr. D. Duarte, Duque de Bragança pela sua mensagem de realismo e de patriotismo, saúdo o Sr. Conde de Avintes (Dr. Luís Lavradio) pelo trabalho que tem feito em prole da Causa Real e saúdo os organizadores do jantar por um evento do qual os monárquicos se podem orgulhar.
Viva El Rey.
Henrique Sousa de Azevedo

2 comentários:
Tem toda a razao caro Henrique!
Não sou monárquico e infelizmente nunca tive a oportunidade de conhecer um que estivesse disposto a uma saudável discussão.
Os pontos de crítica repúblicana à Real Causa que refere são frívolos e nesse ponto concordo consigo. Só não consigo perceber porque motivo eu, um mero cidadão sem qualquer ascendência relevante do ponto de vista histórico haveria de votar num sistema que promove e defende quem por mero acaso nasceu neste mundo com o apelido certo, mesmo que a formação pessoal ou académica não seja brilhante e que por isso mereça um destacado lugar na sociedade.
Visto de fora, o movimento monárquico, e espero não ofender e perdoe-me a minha sinceridade, aproxima-se de uma sociedade tribal, com rituais de sangue (a hereditariedade e o casamento selecto), de entrada (debutantes em clubes elegantes), de aparências (os inumeráveis anéis de brasão que circulam pela nossa cidade) e com um fundamento político do mais precário que existe, no limiar do irracional (porque motivo D. Duarte estaria mais apto a representar o nosso país do que o Cavaco Silva, ou qual é a garantia que nos dada o património genético da família de Bragança?)
Cumprimentos,
Miguel Vasques de Carvalho
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